O CASO VARIGLOG: EM QUAL IMPRENSA CONFIAR?
Estou cada vez mais desencantado com o povo brasileiro em geral e com a Imprensa em particular. Não sei até que ponto uma coisa se interliga à outra, mas creio que o liame não é muito sutil. Afinal é a Imprensa – escrita, falada, televisada ou internetiada – que me informa todos os dia dos fatos e acontecimentos locais, nacionais, internacionais e até interplanetários, isto quando noticiam as aventuras das sondas terrestres em Marte.
Mas o dilema é invencível. Veja é desacreditada porque combate o Governo Lula. IstoÉ e Carta Capital porque fazem o oposto, isto é, são chapas-brancas. Época é da Globo e já viu: não se pode confiar na Globo, que está sempre em cima do muro, mordendo e soprando, fazendo de conta que ataca o Governo quando o está defendendo e fazendo de conta que o defende quando, na verdade, o está criticando. Isto é, veja (como diria o estradista Lula): nesta época nossas revistas semanais são inconfiáveis e de cartas marcadas, capitais ou não.
A televisão é ainda menos crível por sua instantaneidade e volatilidade de suas notícias. Segunda e terça-feira, por exemplo, a Band e a Globo fizeram balanços semelhantes sobre a aplicação da Lei Seca iniciada na semana anterior. Os números coincidiam porque a fonte era a mesma: a Polícia Rodoviária Federal. Mas a Band salientou que, apesar da repressão, o número de acidentes rodoviários aumentara em relação à semana anterior, quando a lei ainda não vigia. A Globo não fez a ressalva. Claro que não se pode dizer que ela mentiu, apenas que deixou de dizer toda a verdade e pode alegar milhares de pretextos para justificar sua posição e ninguém poderá reclamar. Ela é a primeira juíza de suas conveniências e nós, o público alvo dos noticiários, os quartos ou quintos, se nos é dado tanto.
O caso da venda da Varig é emblemático. Veja – acautelem-se porque ela é contra o Governo –, na edição de 11/06/2008, trouxe uma extensa reportagem a respeito e deixa no ar a pergunta ainda sem resposta: Porque a proposta de 738 milhões da TAM pela Varig foi recusada e a de 320 milhões da Gol foi aceita?
A matéria está acessível aqui.
O que impressiona é que não se dá ao assunto o merecido destaque pelos demais órgãos de imprensa. Nenhum outro órgão o confirma ou desmente, como se fosse interesse restrito de Veja, ou do Grupo Abril, e não de todos nós. Isto porque demonstra, pela enésima vez, a falta de compostura deste Governo, pai e mãe de toda a corrupção, mas que não dá a mínima para isto. Leia (sempre ressalvo, se quiser) e conclua. Espero que seja tomado por um assomo de indignação, ainda que seja o último.
E, partindo do inverso, delicie-se com a foto acima da matéria – na revista ela é maior e mais legível. E importa que seja mais legível porque há uma dedicatória de Lula a Marco Audi, um dos envolvidos: para o amigo Marco Audi, um abraço do Lula. Será que este vai dizer que não sabe de nada?
Não juro que a dedicatória seja verdadeira. Afinal, Veja é contra o Governo. Mas a foto é indesmentível, até prova em contrário.
A maioria dos envolvidos na falcatrua está na foto [menos a ministra Dilma Roussef (brrr!)]. Inclusive o compadre de Lula, Roberto Teixeira, o advogado que conseguiu liberar o comprador do pagamento das dívidas da VarigLog, uma coisa jamais vista nos anais do Direito Comercial pátrio: é princípio de Direito Comercial que, aquele que adquire o ativo de uma empresa adquire, automaticamente, o seu passivo, ou seja, suas dívidas e obrigações.
Nada demais. Essa gente muda leis através de compra de votos de parlamentares, fulmina o ato jurídico perfeito e o direito adquirido através de um STF cabresteado na sua mais alta esfera, impõe leis draconianas como se fosse a coisa mais normal do mundo jurídico e nem se peja...
Por que não pode mudar, em nível meramente administrativo, um simples princípio do Direito Comercial?
Escrito por Ilton: às 21:14
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UMA VITÓRIA DA CIVILIZAÇÃO

Uma vitória da civilização contra a barbárie, assim considero a libertação pelo exército colombiano de quinze seqüestrados pelas FARC, entre as quais Ingrid Betancourt, que foi candidata a presidente da Colômbia e permaneceu seis anos em condições precárias, de muito sofrimento físico e principalmente psicológico, em poder de seus captores.
Uma derrota para a quadrilha Chávez, Lula, Morales e Rafael Correa, do Equador, que não consegue esconder, por mais que seus membros se esforcem, sua simpatia pelo movimento. Talvez porque vejam nele a possibilidade de soerguer a decadente e decaída ideologia marxista-leninista. O último reduto oficial – ou oficialiesco, para rimar com grotesco – dessa linha de pensamento, que põe o Estado a acima do cidadão e torna este um servo daquele, são as FARC, ao menos na nossa tristonha e patética América Latina.
Aqui no Brasil se procura impingir, e aos poucos conseguem, essa mesma ideologia mascarada com cores democráticas com previsão simples e direta: a apoteose será mesmo, se não for impedida, a instalação no Brasil e na América do Sul de verdadeiras ditaduras democráticas, que conseguem ser ainda pior que as militares, embora se fosse para eleger uma ou outra não elegeria nenhuma.
A libertação dos reféns é a melhor notícia que se ouve há muito tempo. Ainda que não nos diga respeito diretamente, há motivo, sim, para regozijo. Sempre que a razão se sobrepõe ao obscurantismo há motivos de comemoração.
Para tristeza de Chávez e seus comparsas, a libertação se deu sem a intermediação dele, que, há algum tempo, quis se atravessar e tirar dividendos de negociações que resultaram em nada. Inclusive o nosso sargento Garcia (o Marco Aurélio, aquele do top-top) esteve numa encenação bufa de libertação que não houve, gastando nosso dinheiro à toa, e deve estar igualmente decepcionado. Pior para eles: houve ajuda, substancial e decisiva, ainda que apenas logística, dos Estados Unidos para o êxito da missão.
O Brasil, até hoje, não condenou oficialmente a guerrilha colombiana. Lula, através de nota na terceira pessoa, manifestou satisfação com o resgate (nem poderia ser diferente), inexpressivamente, pregando essencialmente a reconciliação entre o Governo e a guerrilha.
Estranho a preocupação, tanto da libertada como do Governo Colombiano, em assegurar que foram tomadas cautelas para que os seqüestradores não sofressem lesões ou danos físicos na operação. Esta, aliás, ocorreu sem nenhum tiro ou morte. Não que ache que os guerrilheiros devessem sofrer tais lesões. Ao menos não desnecessariamente, como foi o caso. Mas seus emblemas, Mao e Stálin, certamente, em situação idêntica, não teriam a mesma cautela.
É por isto que gente dessa estirpe procria como ratos no mundo moderno. Eles souberam acabar com os opositores. Estes, no poder, não o sabem. Deixam a árvore crescer e, então, fica muito mais difícil cortá-la. E as FARC são o melhor exemplo disto.
Mas, enfim, hoje é possível dormir um pouco mais aliviado. Ainda não é o tempo de se perder a fé na humanidade.
Escrito por Ilton: às 21:26
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SOMOS OS ÍNDIOS DO FUTURO
O general-de-brigada reformado Luiz Eduardo Rocha Paiva, seguindo o exemplo do general Augusto Heleno, critica a política indigenista do Governo Federal, dizendo que “não podemos ficar a reboque de 700 mil [índios]” (aqui).
A manifestação anterior, do general Augusto Heleno, rendeu um belo aumento no soldo dos militares (aliás, merecido). A de agora não produzirá o mesmo efeito, pois é pouco o tempo decorrido. Mas dá o que pensar.
Eu, com meu zíper, ficando pensando coisas: aqueles caiapós bem fornidos, gordos e luzidios, da reserva Raposa Terra do Sol, que estiveram em evidência há algum tempo, vivem do que, afinal? A Cultura indígena era a de guerra para os homens e do trabalho pesado para as mulheres. Eles caçavam e pescavam, também, mas gordos como estão duvido que o façam com muita proficiência. Certamente não o fazem para sobreviver, pois eles mesmos admitem que respeitam a natureza e fazem de tudo para preservá-la.
Lembrei daquele índio grotesco, infiel à sua Cultura, que disse que o governo brasileiro estava criando uma guerra mundial dentro da aldeia, lembram? Ele demonstrou apenas a pequenez de seu mundo, mas ganhou no apito, digo, no grito.
Ainda não chegou o tempo de eles guerrearem. É preciso, antes, uma hecatombe nuclear e a recomposição dos sobreviventes. Então virá a Guerra Mundial anunciada, a IV, à base de borduna, arco e flechas. E facões, se os índios e os sobreviventes não se esquecerem de como forjá-los.
Esta elucubração não é minha. É que após a II Guerra, explodidas Hiroshima e Nagasaki, perguntaram a Einstein como seria a terceira guerra mundial. A resposta foi mais ou menos assim: “a terceira eu não sei. Mas a quarta, seguramente, será com paus e pedras”.
Defendi, em certa ocasião, que o Brasil poderia se dar bem. Podem ler aqui. Sou obrigado a duvidar de mim mesmo. Com os índios no poder, não sei se sobrará terra para nós. Eu quis montar uma fábrica de arco e flechas de repetição, mas ninguém, nem o Dogman, me acompanhou na empreitada.
Mas nunca fui um bom profeta. Os índios nos superarão facilmente. No fim da história, se acontecer o que previ no artigo anterior, restarão eles. E eles são muito melhores no manejo de armas rudimentares, como arco e flechas – ainda que não sejam de repetição – e nos derrotarão com facilidade. Seremos inapelavelmente subjugados.
A única esperança é que eles, acostumados ao ócio dos protegidos e imposto pelos paternalistas protetores governamentais, e pelas ONGs que no local defendem interesses nacionais não se sabe de que nacionalidade, fiquem cada vez mais balofos e percam o sentido da guerra. Porque com a dança de guerra, que não dominamos, e aquelas armas só poderão nos vencer. Até lá estaremos desarmados, pois a Lei do Desarmamento, enquanto os petralhas estiverem no poder, virá. Assim como a CPMF.
Essa reviravolta histórica permite concluir, com absoluta segurança, que seremos os índios do futuro.
Vencidos, viveremos em reservas, seremos paternalisticamente alimentados por eles, que nos deixarão deitar e rolar, seremos mais gordos e roliços do que somos hoje, e viveremos em estreito contato com a Natureza. Como querem os ecologistas.
Escrito por Ilton: às 20:23
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AINDA SOBRE A LEI SECA...
Quem leu o meu post do dia 26 pode pensar que sou contra a prisão de motoristas embriagados. Muito pelo contrário. O que detesto é a sensação de ser suspeito.
Somos todos suspeitos. O Estado que mais prega a cidadania (da boca pra fora) é o que mais nos trata como bandidos. Somos todos olhados com desconfiança. Os critérios de aferição de nosso banditismo são arbitrariamente legais. Nessa última versão, basta dirigir um veículo. Não é preciso demonstrar que o estamos fazendo irregularmente. Você pode nem estar bêbado, mas se a polícia o interceptar e implicar você é que terá que provar que é inocente, soprando num bafômetro. Inverte-se o ônus da prova. Você é um suspeito mesmo sem causa e para se livrar da mão do Estado só se submetendo às exigências deste. Você é que precisa provar que está são, não ele que precisa provar que você está embriagado.
Sou a favor da prisão em flagrante do motorista bêbado. Mais: que ele, independentemente de fiança, só possa ser liberado após estar curado da bebedeira. Sua habilitação para dirigir veículos deveria ser cassada imediatamente pelo prazo mínimo de um ano, da primeira vez. Na segunda, haveria agravamento da pena, e assim por diante. Mas seria importantíssimo ele ser julgado na hora, por juízes designados em varas especialmente destinadas a essa finalidade, com direito a advogado e à ampla defesa, como se vê em filmes americanos – é o melhor exemplo que posso arrumar. Caso contrário, da forma como as coisas estão sendo conduzidas, logo essas atividades policiais condenatórias cairão no vazio, fulminadas por decisões judiciais.
Não gosto de radicalizações porque elas são socialmente doentias. E o que vemos, com essa nova lei e com essa truculência governamental e policial é exatamente isto. Com tantos criminosos reais à solta, com tantos roubos, assaltos, furtos, estupros, assassinatos, brigas, badernas, gangues, é um luxo mobilizar a força policial para prender motoristas que, na grande maioria dos casos, não são bandidos em sentido estrito, embora em sentido lato assim sejam considerados.
Diria, mais, que com os milhões de veículos que trafegam nas vias urbanas e interurbanas do Brasil é muito pouco o número de acidentes provocados por motoristas alcoolizados. É que eles são noticiados por estarem na ordem do dia da imprensa nacional. Há muita coisa mais grave e mais séria acontecendo, mas preferem desviar nossa atenção para um problema que não é tão grande quanto muitos fazem de conta que é.
Um dos crimes de trânsito mais bárbaros dos últimos tempos foi o daqueles larápios que, em fevereiro de 2007, assaltaram uma mãe e seu filho de sete anos e não deram tempo a que este se livrasse do cinto de segurança e o arrastaram por 14 km. O condutor não estava embriagado ou, pelo menos, ninguém o cogitou. Possivelmente estaria drogado, mas a nova truculência legal não se ocupa disto, apenas da embriaguês alcoólica.
Atentem para a notícia em 3 noites, PM detém 26 motoristas flagrados pelo bafômetro em SP (para ler, clique no texto). A reportagem não esclarece quantos estariam embriagados porque isto não interessa à imprensa que não pensa. Mas se a polícia se dedicasse, nessas três noites, a caçar bandidos, ladrões e assaltantes, certamente prenderia muito mais. Inclusive os que se encorajam com outras drogas para praticar seus roubos, assaltos e seqüestros relâmpagos.
O problema é que nossa Polícia, além de tudo, demonstra covardia. Bandidos reagem; motoristas suspeitos são dóceis, aceitam sua inocência com certa dose de culpa por serem inocentes, exatamente como convém a todos os que estão jogando areia nos nossos olhos.
Enquanto, para efeitos publicitários, a Polícia em todo o Brasil demonstra organização, qualidade e atuação, dando a impressão de que o crime está sendo combatido, em outras frentes os ladrões continuam livres e soltos. E nossa insegurança continua... Maior do que antes, já que agora a polícia se ocupa em abordar motoristas apenas suspeitos de embriaguês e, por isto, os larápios em geral estão mais à vontade.
Escrito por Ilton: às 14:32
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SÓ PRA COMEÇAR...
O Governo se empenha na reforma da Língua Portuguesa, mas é o primeiro a espancá-la em algumas manifestações em que, por certo, o bafômetro não passou por perto.
Vejam na foto acima. Numa faixa com seis palavras há dois erros de Português. O mau exemplo vem de cima.
Arraiá não existe. É a forma vulgar de se pronunciar arraial, que significa, entre outras coisas, lugar onde se juntam romeiros, onde há tendas provisórias, barracas de comestíveis, de jogos e diversões, e ornamentado, com música, etc. P. ext. Festa popular com barracas de comestíveis, jogos e diversões, etc., semelhante ao arraial. Está no Aurélio. Se na linguagem vulgar se admite a pronúncia arraiá, quando é escrita, todavia, deve ser observada a forma correta.
Bem vindo se escreve com hífen: bem-vindo. Há uma regra específica para o elemento bem, conforme esclarece o professor Cláudio Moreno, aqui.
Mas no Arraial do Torto não se pode esperar muita coisa direita, mesmo.
Escrito por Ilton: às 08:49
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BOM FIM-DE-SEMANA!
De volta pro aconchego – talvez fosse mais adequado dizer do aconchego, pois só lá, da varanda da casinhola, posso devassar essa vista aí – é hora de se readaptar.
Enquanto isto, como é fim-de-semana, fiquem com o texto SOBRE GENTE E BICHOS, que publiquei aqui em 11/05/2005, e que está no Nau Catarineta.
Um bom fim-de-semana!
Escrito por Ilton: às 15:02
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AMANHÃ, DE NOVO SEM POST
Amanhã, infelizmente, novamente não postarei nada.
Estaremos de viagem de volta para Porto Alegre.
Geralmente não bebo, nem se não vou dirigir em seguida.
Mas, amanhã, tomarei cuidados excepcionais: não comerei carne temperada à vinha-d’alho, nem sobremesa de sagu com vinho, ou sorvete de passas ao rum – que é o que mais gosto – no trajeto.
Já pensaram se algum policial rodoviário embriagado me pegar após ter ingerido algo semelhante?
Pena que a BR-116 está menos sã que eu. Há buracos, curvas perigosas, valetas, adensamentos, locais em que acumula água, mas se houver qualquer acidente, o mais importante será medir o meu teor alcoólico.
Afinal, mesmo não bebendo nada, sou um potencial motorista perigoso beirando os limites do crime.
Até e boa viagem para nós.
Escrito por Ilton: às 10:21
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TEMPORADA DE CAÇA AOS MOTORISTAS

A turma que está no poder tem uma nítida vocação de espiolhar picuinhas ou, em outras palavras, de se perder nos miúdos e procurar chifres em cabeça de cavalo. Está definitivamente comprovado que usam antolhos, vêem apenas um objetivo e a ele se dirigem cegamente num absoluto desrespeito à lógica e ao bom senso.
Acompanhei, sem me manifestar, essa absurda evolução da lei que abriu a temporada de caça a motoristas embriagados. A finalidade é louvável, mas a falta de previsão e de análise global e circunstancial demonstra que essa gente, que prega a conquista de cidadania, é a primeira a espancá-la.
Inicialmente, sob a batuta do ministro da Justiça, Tarso Genro, cuja especialização é Direito do Trabalho e está longe, muito longe, de ser uma pessoa de notável saber jurídico, proibiu irrestritamente a venda de bebidas alcoólicas em bares e restaurantes próximos às rodovias federais. Foi o que se viu. Uma desmoralização completa. A lei não foi cumprida e foi corroída aos poucos no Congresso. Não durou seis meses. Prova de que foi uma má lei. Qualquer jurista de pejo e de peso se recolheria à sua insignificância.
Então os mesmos juristas de olhos vendados inventam o Tolerância Zero para o motorista embriagado, mas se esquecem do conceito específico e abusam no seu direito de proibir. Parece que agem movido pelo ódio, pela vingança: “Ah, é! Não quiseram assim? Então engulam esta pior”. Visualiza-se, também, por detrás dessa mentalidade tacanha, o ranço autoritário daqueles que tomaram o poder e estão se lambuzando com ele e que conseguirão impor-nos uma ditadura democrática perfeita e acabada.
Se está cientificamente comprovado que com 8 dg de álcool no sangue o motorista não perde seu raciocínio, seu discernimento, sabe bem o que está fazendo e têm controle sobre seus atos físicos, sem prejuízo do seu tirocínio, por que punir a conduta de quem, após uma refeição, toma uma sobremesa de sagu com vinho e é pego pelo bafômetro com 2 dg de álcool? Ou aquele que, higienicamente, valeu-se desses anti-sépticos bucais, muitos a conselho do dentista, e contaminou seu hálito – mas não sua mente – com produto alcoólico?
Sempre tratei com rigor o motorista embriagado. Determinei, por sentença, o encarceramento de pelo menos uns três, inclusive de um motorista de táxi de Porto Alegre e interditei-lhe o direito de dirigir veículos motorizados por um ano, o máximo que se podia fazer na época (entre 1989 e 1992). O fato foi notícia no jornal Zero Hora que entrevistou o motorista...
Mas eu não condenaria alguém, mesmo diante dessa nova lei, que fosse preso em flagrante dirigindo com – digamos – 5 dg de álcool no sangue. Nem que se tivesse envolvido em acidente. Desde, é claro, que não fosse culpado por sua atitude independente da condição alcoólica. Sempre, na espécie se busca a causa.
Assim como às vezes um motorista sem carteira de habilitação é mais perito que um carteirado há muitos anos, nem sempre um motorista embriagado é culpado pelo delito de trânsito em que se envolveu. Tudo depende, sempre, do caso concreto e suas circunstâncias. Se um motorista embriagado espera abrir o sinal para cruzar a esquina e um motorista lúcido o abalroa por trás, a culpa, naturalmente, será do lúcido.
Não se presume a culpa, em sentido lato, por condições pessoais de um dos atores da cena do crime. A culpa nunca se presume. Deve exsurgir dos fatos do processo, da análise da prova, de acordo com a lei.
Mas a lei de nossos sábios juristas toma por base um fato abstrato mesmo depois que se concretiza e quer punir não com base neles, mas nas condições pessoais de quem, objetiva e subjetivamente, é inocente.
Dirão que se trata de crime de perigo, em que a mera conduta do autor é suficiente para caracterizá-lo. Mas não é bem assim. Dirigir embriagado e por conta da embriaguez provocar um acidente é crime e deve ser punido com rigor. Com muito rigor.
Mas dirigir em condições normais, mesmo após a ingestão de pequena quantidade de álcool e ser pego e preso sem oferecer perigo à incolumidade pública é outra coisa, bem diferente.
Dirão ainda que cabe ao CONTRAN regulamentar a aplicação da lei. Mas esta não poderá ser alterada. As resoluções do CONTRAN não têm o poder de extinguir ou modificar situações previstas em lei.
Escrito por Ilton: às 10:10
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DONA MARISA LETÍCIA CAIU DA CAMA
Manter um blog é coisa séria. Estou desde sexta-feira – portanto há três dias – sem postar e já sinto remorsos. Saber que meus dezessete fiéis leitores todos os dias clicam para entrar e ler alguma coisa nova e não encontram nada me deixa preocupado.
Vamos ver se arrumo uma boa desculpa. Bem. Sexta foi meu aniversário e no final de semana fiz um churrasquinho para irmãos e cunhados que, e sendo boca livre, alguns compareceram. Tenho dez cunhados, mas nem todos vieram. Só dois, com os anexos, e no total havia umas 25 pessoas por aqui. Espero ter, se não justificado, pelo menos explicado a falha.
Mas voltemos à realidade. A notícia mais importante dos últimos dias é que dona Marisa Letícia caiu da cama e quebrou a clavícula. Cair da cama é algo que para alguns é mais fácil do que cair do cavalo. Como um dos últimos presidentes americanos caiu do cavalo, há alguns anos, e quebrou uma perna, nada demais. Como diz o gaúcho: cada um apeia do seu jeito. Tanto do cavalo quanto da cama.
Além disto, as notícias dizem que a queda ocorreu na residência oficial da Presidência. Como a residência oficial da Presidência é o Aerolula, dona Marisa Letícia pode ter caído em razão da turbulência, ou numa manobra de aterrissagem ou decolagem.
Não gosto de evidenciar certas qualidades que tenho como, por exemplo, o dom da profecia. Mas pode conferir em CENAS NO MOTELPRES, que escrevi aqui em 23/04/2008. Lula, com sua absoluta perspicácia, chamou a atenção de Dona Marisa:
– Essa cama podia ser mais larga, né benhê? Se o piloto fizer uma curva a gente pode cair. Nem tem cinto de segurança!...
Mas ela, que, ao contrário do marido, demonstra publicamente que sempre sabe o que faz (em qualquer cerimônia entra quieta e sai calada), não só não reclamou como até aceitou a situação:
– É, mas agora não tem perigo, não estamos voando.
(Naquele dia a residência oficial não decolara).
Mas fica claro por que Dona Marisa Letícia caiu da cama: ela não tem cinto de segurança.
Alguém, aí, encarregado do Aerolula. Instalem um cinto de segurança para dona Marisa Letícia. Podem usar o cartão corporativo. Afinal, é assunto de segurança nacional.
Escrito por Ilton: às 15:48
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HAJA PLANO PORQUE BOBO NÃO FALTA: MUGEN EDAMAME

O seu Capanema, de Aratingaúba, pai da Kesa e sogro do Sovenir, é um homem de idade, autor da frase acima que sintetiza o festival de absurdos que enfrentamos de vez em quando montamos num porco e nos imaginamos num garboso corcel.
Estou inaugurando, agora, uma nova seção neste blog. Exatamente o HAJA PLANO PORQUE BOBO NÃO FALTA, em homenagem a ele.
Não sei se o plano vai ser seguido. Já planejei muito para este blog e cumpri muito pouco. Ele era para ser de crônicas, amenidades, utilidades e, também, de indignação ética. No começo, pretendia escrever uma vez por semana sobre filmes, publicar uma poesia, uma pintura da Ieda também, de modo que os cinco dias da semana ficassem preenchidos com assuntos pré-estabelecidos.
Daí vieram os aloprados do PT e jogaram tudo pro espaço e o blog se desvirtuou.
Mas vamos lá...
Uma empresa de brinquedos japonesa apresentou, há algum tempo, um novo brinquedo chamado mugen edamame, que significa grão de soja infinito. O brinquedo consiste em um grão de soja feito de plástico que, ao espremer, estoura e pula para fora da vagem.
Imaginei-me criança novamente brincando um grão de soja infinito. Deve ser uma coisa muito prazerosa. Daqui a uns dias vai ser uma febre daquelas de derrubar o ioiô, o skate e as clicas, que são cíclicos. Essa, sem dúvida, vem para ficar.
Mesmo assim, para melhor me situar e sentir a atratividade do novo brinquedo, entrevistei crianças que freqüentam uma escola perto de casa.
Uma delas, pré-adolescente, disse que preferiria espremer as próprias espinhas e as do namorado. Outra, menor e pobrezinha, perguntou interessada se o brinquedo poderia ser adaptado para expelir infinitamente feijão com arroz – seria, para ela, uma solução para o problema da fome no mundo, ou pelo menos o dela. Um guri mais empinadinho me mandou tomar naquele lugar e, por via das dúvidas, encerrei a entrevista.
Escrito por Ilton: às 15:26
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MEU ETERNO PROBLEMA TRANSITÓRIO

Hoje me flagrei numa situação de perplexidade.
Como todos sabem, estou em Rio do Sul, num imóvel que adquiri e no qual pretendo, em princípio, construir minha casa. Situa-se no bairro Taboão.
Hoje é meu aniversário. Convidei meus cunhados – uma péssima idéia, pois se cunhado fosse coisa boa não começaria com essa sílaba aí – que residem em Joinville e alguns, surpreendentemente, aceitaram o convite e pediram um mapa ou um e-mail sobre como chegar ao sítio. Foi então que começaram as dificuldades.
Como lhes explicar, em poucas palavras, que deveriam entrar à esquerda no primeiro acesso da BR-470, através de uma rótula retangular abaulada nos cantos, e infletir com rapidez à direita, cortando o fluxo de quem transita pela BR em sentido contrário ao deles, pena de voltarem para casa? Vencido este obstáculo, como explicar que deveriam ir, inicialmente, para o Centro mesmo sabendo que, depois, teriam que retornar para periferia, rumo ao bairro? E que para essa manobra deveriam cortar a frente de outros veículos provindos exatamente do bairro de destino?
No trânsito de Rio do Sul há cruzamentos em “x” nas pistas de mesmo sentido de uma mesma avenida! E afunilamentos inexplicáveis, enjambrados por engenheiros de trânsito que, parece, só visualizam as situações de helicóptero ou pelo guia de ruas. E o pior é que os há em ambos os sentidos, quer você queira ir para um bairro quer queira ir para o centro...
Eles teriam que tomar a Av. Aristiliano Ramos pela direita e em seguida atravessar as outras duas pistas da mesma e pegar a esquerda para, mais adiante, numa esquina com mão inglesa, dobrar à esquerda para pegar, na pista esquerda, a Rua Carlos Barcellos e, noutro “x” perigoso, cortá-la e pegar a pista da direita para ir rumo ao Taboão. Entenderam? Nem eu, lendo e relendo, consigo entender. Mas é exatamente isto aí. Einstein adoraria decifrar essas fórmulas.
Quando estive aqui, numa outra ocasião, percebi que mesmo estando a 200 m de um lugar para chegar a ele, de carro, é preciso trafegar um três quilômetros. A situação persiste. Contra todas as regras do bom senso. Ainda bem que o Brasil é auto-suficiente em petróleo e não precisamos mais economizar gasolina, embora os ecologicamente corretos e os previsores do futuro caos digam que é bom fazer isto para que ela dure mais tempo. Rio do Sul não dá bola para essas coisas. Se fosse naquele tempo da Ditadura em que houve racionamento de combustíveis, com fechamento dos postos à noite e aos domingos, os mentores do sistema de trânsito do Município correriam o risco de ir em cana.
Como estava difícil explicar, comecei a elaborar um mapa que escanearia para enviar-lhes. Estava na quarta folha de papel A4 e ainda não o terminara e me perdi. Mas aí vou reconhecer minha deficiência. Não tenho um senso de posição geográfica muito apurado. Nem no papel.
Foi então que tive a luminosa idéia. Eles deveriam evitar Rio do Sul. Entrariam uns 15 km antes numa cidadezinha chamada Lontras e viriam “por dentro”. Chegariam direto no bairro Taboão sem necessidade de se enrolar nas fórmulas de “x” e “y” – uma equação diferencial – para chegar a minha casa. Foi, afinal, o que lhes disse por e-mail.
A situação de perplexidade emergiu da conclusão, óbvia, de que foi mais fácil ensinar-lhes o caminho para minha casa em Porto Alegre, quando foram para lá pela primeira vez, do que o itinerário por dentro de Rio do Sul para chegar ao bairro Taboão...
E para ir a minha casa, em Porto Alegre, é preciso atravessar a cidade de Norte a Sul, em aproximadamente 30 km de trânsito urbano...
Mas é só pegar a Av. Beira-Rio e ir em frente, sem perigosos “x” e “y” pelo trajeto.
Escrito por Ilton: às 16:10
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A CULTURA PEDE SOCORRO!
Recebi por e-mail, de várias fontes, o texto abaixo.
O último foi encaminhado por meu filho, que está na Alemanha, mas se interessa por todas as formas de manifestação cultural.
Por isto tomo a liberdade de publicá-lo aqui, tentando contribuir.

Recomendado por: Maria Inês Reinert Azambuja
Vale a pena ler e repassar! Convoco todos a lutar para impedirmos este erro: imaginem um site (lugar) onde se pode ler gratuitamente as obras de Machado de Assis ou A Divina Comédia, ou ter acesso às melhores historinhas infantis de todos os tempos. Um lugar que lhe mostrasse as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci. Onde você pudesse escutar (de graça) músicas em MP3 de alta qualidade...
Pois esse lugar existe! O Ministério da Educação disponibiliza tudo isso, basta acessar o site: http://www.dominiopublico.gov.br/.
Só de literatura portuguesa são 732 obras! Estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desativar o projeto por desuso, já que o número de acesso é muito pequeno.
Vamos tentar reverter isso, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos, a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura. Ao invés de divulgar o site, é mais barato eliminá-lo, é um absurdo!!!
Divulgue para o máximo de pessoas, http://www.dominiopublico.gov.br/
A Cultura pede socorro...
Escrito por Ilton: às 16:15
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SOBRE SURDOS-MUDOS...

Os Supermercados Imperatriz, em Rio do Sul, cumprem a determinação legal de ter entre seus empregados – ou colaboradores, como fazem questão de denominar principalmente quando utilizam o serviço de som interno – dois ou três surdos-mudos.
Eles fazem mais barulho do que os normais quando se comunicam entre si, emitem um som gutural mais alto que uma conversação normal e que sobressai do barulho ambiente. Na primeira vez em que lá estive, me assustei pensando que alguma coisa grave estivesse ocorrendo com alguém. Alguém se afogando com um pedaço de carne, por exemplo (sei de um cara que morreu no interior do Rio Grande do Sul com 300 g de picanha entalado na garganta. Fato verídico!).
Esses dias conversei com uma surda-muda do Imperatriz quando comprava uma caçarola. Como havia dois preços logo abaixo, na prateleira, queria saber qual o correto. Naturalmente não a entendi nem ela me entendeu e precisamos de um colaborador intérprete.
Essas manifestações barulhentas de surdos-mudos lembraram da época em que morei em Taió, entre 1976 e 1982. Tínhamos uma turma que se reunia uma vez por semana para jogar truco ou dominó. E das mesas de truco participava o mais barulhento jogador que vi até hoje: o Lauro. Ele também era surdo-mudo mas emitia um som gutural agudíssimo que feria nossos ouvidos. Um irmão dele, também trucador, diversas vezes o admoestava: não dá pra gritar mais baixo? Ele ria, guturalmente, satisfeito.
Fomos parceiros num campeonato. Como sou normalmente quieto numa mesa de jogo, cabia a ele fazer o barulho por nós. E o fazia com exemplar capacidade. Não passamos da primeira fase mas, depois, o campeonato perdeu a graça. Ninguém mais via o Lauro subir na cadeira e do seu jeito incomum gritar um estridente e comprido trrrrrrrrrrrrruco! Ele carregava naturalmente no erre e provocava risadas dos participantes, embora não ouvisse nada.
Freqüentara uma escola especial para surdos-mudos, ainda criança, em Porto Alegre e tinha uma leitura labial perfeita. Além disto, estudara e tinha conhecimentos acima do normal. Era Oficial do Registro de Imóveis de Taió, estava sempre atento às mudanças no setor, e quando houve alteração do anterior sistema de livros para o atual, de fichas, sua organização foi apresentada como exemplo num congresso em Pernambuco.
Jamais brigou com a mulher. Usava uma técnica especial para conseguir isto. Quando, eventualmente, começavam uma discussão ele simplesmente fechava os olhos...
Mas, voltando ao caso dos Supermercados Imperatriz: no dia em comprava a caçarola precisei de uma intérprete.
Embora talvez não tivesse feito curso de leitura labial, a surda-muda até que se expressava bem, considerando suas condições.
Eu é que me senti um tanto deficiente por não entendê-la. Uma coisa é jogar truco com um surdo-mudo que fala e lê seus lábios; outra é tentar se comunicar com um desconhecido, apenas através de gestos...
Escrito por Ilton: às 15:59
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DAS DEFICIÊNCIAS INTERPRETATIVAS

Há uma tendência entre as empresas, principalmente supermercados e outras em que se usa o contato mais direto com o público, chamar os empregados de colaboradores. Assim como os telefonistas das empresas que prestam suporte ou atendimento via telefone são chamados de atendentes, os empregados de um supermercado – caixas, empacotadores, fiscais, gondoleiros – eufemisticamente são denominados colaboradores.
Naturalmente eles se sentem valorizados com a denominação. Mas seria bom se, no fim do mês, tivessem um salário condigno e maior do que efetivamente recebem. Afinal, um colaborador colabora, um empregado presta serviços. Até por isto este ganha mais. Perceberam a nuance?
São eufemismos que nossos criativos empresários inventam para consumo externo, pois é mais agradável, ouvir pelo serviço de som, uma chamada para a colaboradora Sonia do que para a empregada Sonia.
Isto tudo para dizer que amanhã postarei algo sobre colaboradores de um supermercado de Rio do Sul, que são surdos-mudos (para ser objetivo, mesmo não tão politicamente correto) ou deficientes fono-otorrinos (é assim que se diz complicando cientificamente?). Talvez fosse mais compreensível, e mais popular, qualificá-los de deficientes da fala e da audição, num retrocesso lingüístico inexplicável.
A Língua Portuguesa levou anos, talvez séculos, para resumir em palavras curtas e objetivas certas condições – cego, surdo, mudo – e agora vêm os áulicos do falso puritanismo dizer que são depreciativas e ofensivas, criando fórmulas complicadas para definir quase o mesmo com muito maior dificuldade.
Chamar um cego de deficiente visual é incorreto. Deficiência visual não é apenas a cegueira, mas toda aquela que provoca alguma redução da acuidade visual. Sofro de miopia, astigmatismo e hipermetropia. Logo, sou deficiente visual. Mas não total, ou seja, não sou cego.
Chamar um cego de cego, um surdo de surdo ou um mudo de mudo pode ser, mas não necessariamente o é, uma forma de ofender. Depende tudo das circunstâncias. Chamar um cego de deficiente visual total pode soar mais ridículo e ofensivo. Depende, também, das circunstâncias.
Escrito por Ilton: às 13:22
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GALVÃO BUENO CONTINUA O MESMO

O Galvão Bueno, aquele que é amigo particular de todos os que estão por cima nos esportes, no Jornal Nacional de ontem (17/06) deu uma soprada na seleção para compensar as mordidas – aliás, nada doloridas – do jogo Brasil contra Paraguai, que o Brasil perdeu de 2 a 0.
Disse que nunca uma seleção ganhou uma copa com um homem só. É preciso conjunto – salientou umas duas ou três vezes. Com isto livrou a cara de Robinho, que ele mesmo endeusou, e que foi uma sumidade em campo. Estou usado sumidade não no seu sentido literal, mas querendo dizer que ele sumiu, não era encontrado ou se escondeu em campo. Apenas tentou dar uma das suas manjadas pedaladas, mas arrebentou a corrente da bicicleta e ele foi menos que discreto.
Mesmo assim, podem aguardar. Galvão Bueno vai continuar a propalar de boca cheia uma das besteiras que mais aprecia: que a copa de 1994 foi de Romário, a de 2002 de Ronalducho, por aí afora.
Se no jogo de hoje Dungadandã escalar o menino Pato, Galvão vai ter orgasmos no ar cada vez que ele pegar a bola.
Escrito por Ilton: às 13:20
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